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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Desabafo

Pessoas existem que se acham aptos para julgar e condenar as outras. Que costumam imputar aos demais, sentimentos que no fundo possuem. 

Muitas vezes aquilo que apontam, no fundo, apenas acoberta as suas próprias falhas, ou é uma maneira de legislar em causa própria. Utilizando a velha tática do ataque ser a melhor defesa. 

Creio ser leviano se afirmar qualquer coisa por outrem, sobre quaisquer aspectos, quando desconhecemos de fato, o que se passa dentro de cada pessoa, ou se desconhece suas razões. 

Para cada ser na face da terra, existe algo que o faz feliz. Para muitos, felicidade é possuir bens financeiros, para outros, a felicidade consiste em ter um lar, uma família, carinho, amor e companhia. 

Quanto a plenitude, essa fugaz, que se resume a alguns minutos esporádicos, é relevante, sim. Mas nada que as seguidas noites de solidão e o constante caminhar vazio da individualidade, não ofusquem o seu brilho. 

Jamais se pode garantir pelos outros, que suas ações se resumem ao que se imagina, pois poderão cair no erro gravíssimo do pré julgamento, ou incorrer no pecado e crime de falso testemunho. 

Jamais um solo fértil, ou a água em abundância, conseguirão manter o equilíbrio ecológico, se não forem tratados devidamente. Assim também o amor, não resistirá a tantas acusações e incompreensões. Nenhuma produção terá qualidade, se o jardineiro misturar as sementes, ou deixar o terreno sem adubo, entregue as ervas daninhas, porque precisa  cuidar melhor, do que está sob sua "responsabilidade". Pois, desse mesmo cuidado e atenção, dependem o outro, e o amor.

Creio ser errado, (embora não seja dona da verdade), o jardineiro que insatisfeito com o resultado da sua colheita, busque em outro produto, um resultado final diferente, sem antes ter deixado o terreno limpo e adubado. Fatalmente esse terá inúmeros problemas. 

De fato, nessa questão, melhor seria, que o jardineiro insatisfeito, antes de reclamar, ou de buscar novos insumos, estudasse o solo a sua volta, as suas reais condições e objetivos, e  todas as possibilidades, porque da segurança do que de fato quer e espera, dependem os resultados das novas aquisições. 

Nada mais sensato que reutilizar palavras,  para fazer com que as pessoas reflitam sobre seus pensamentos e atitudes. E, nesse sentido, vale a pena a citação abaixo: 

“O homem sensato valoriza o que possui. E, longe de lançar os olhos para as posses do vizinho, os lança para o seu próprio passado e em seu coração agradece por suas conquistas.” 


Se as pessoas atentassem para essa afirmativa acima, certamente, os motivos geradores dessa parábola, não existiriam. Porque viveriam sem a duvida que permeia entre, a sua verdade e uma ilusão passada de forma enganosa para obter uma lucratividade maior. Dessa forma, a citação acima não faria sentido, nem geraria insatisfação de um, nem a tristeza do outro. Tampouco teria desencadeado tantos problemas com o jardim do vizinho. Porque olhariam mais para suas próprias aquisições e sem conflitos nem aborrecimentos, agradeceriam a Deus todos os dias.

Sim, muitas vezes desejamos demais, algo que não está a nosso alcance, porque são sonhos guardados e a imagem gravada pelos sentimentos de paixão, amor e saudade, esquece que o tempo muda pessoas e suas formas de ser e agir. 

Dizer o que estamos sentindo, o que nos deixa tristes, jamais será menosprezar e/ou, invejar e sim, tentar entender e precisar de respostas a questões que fogem ao entendimento. Coisas importantes para sabermos, o que de fato somos, no meio de um contexto conflitivo. 

Cuidar da própria vida seria talvez, o melhor a se fazer, porque assim, cada pessoa tomaria as rédeas do controle das suas. Mas, felizmente, pra uns, o amor não é egoísta. Ele vê, ouve, fala e sonha por dois, ou não seria de fato amor. 

Fácil é acusar, se arvorar de uma verdade pessoal e falar como se ela fosse absoluta. Decerto o jardineiro não inveja o jardim do vizinho, até porque cada um planta o que gosta e nenhum jardim é tão farto de simples, mas belas flores, quanto o seu próprio coração.

Por outro lado, se o outro jardim fosse belo, tão produtivo e tão bem cuidado, jamais o jardineiro, admiraria  outro, a ponto de querer que também lhe pertencesse. E a logica, por esse aspecto, afasta qualquer ideia de inveja.

Nenhum paisagista, arquiteto ou urbanista, seriam capazes de desenhar jardins tão belos, quanto aos mais simples, feitos com alma e cheios de emoção. O que afasta também, toda e qualquer possibilidade de um agricultor emocional, invejar um jardim sem o encanto do amor e do desejo.

A perfeição é deste mundo sim, traçada por Deus. A natureza é perfeita, o homem é perfeito, os animais também. O próprio homem é quem desfaz essa imagem semelhança de Deus, com seus egoísmos e ganâncias. 

Lamentar o que falta, até creio, mas no campo emocional, pois é ele quem dita os reclames da solidão e carência, de um ser puramente emocional. Aquele que vê lamento e inveja, na saudade e na falta de entendimento de certos acontecimentos, após tantos anos, de fato, desconhece essa alma. Desconhece o que é importante ao ser que tem desprendimento material e sente, que de certa forma, foi iludida ao entrar numa história, enganada com uma situação que nunca existiu.

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