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terça-feira, 5 de junho de 2007


Apelo

No céu carregado de nuvens, nenhuma luz, nenhum brilho. Talvez esteja assim em respeito a minha dor. E essa chuva que cai, simplesmente seja, para acompanhar as lágrimas que marejam meus olhos e lavam meu rosto. O vento que me traz o frio, uma tentativa de desviar o pensamento, de que não sou nada. Observo um grande buraco negro, que me arrasta pra dentro. Queria apenas carinho, afago, a companhia, me sentir amada.

Busco em mim forças, mas não as tenho. Apelo pra esperança e percebo que a muito se foi, grito por mim e não respondo... talvez o véu da morte, já tenha me tomado e no meu vazio, nem tenha notado. Mas quem me notaria? Nem a piedade quer saber. Sou um ponto sem formas, sem rosto, sem emoção. Sou tudo que desagrada, um mal que devasta, a quem por ventura, segura minha mão.

Apelo ao santo, ao Senhor, apelo a minha mãe, mas ela se foi e os outros, estão ao lado dos que se encontram em pior situação. Rezo, Pai Nosso, Ave Maria! Não tem jeito, nem apelação. Sou o caos do mundo. Sou a peste que assola, sou tempestade, sou tragédia, sou fatal. Estou perdida num mundo que não conheço, num lugar que só me entristeço. Ninguém me quer! Agüentam-me por dó. Que vida doída, quanta noite perdida, quanto desencanto, quanto me sinto só!..

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